A sardinha é um peixe da família Clupeidae, científicamente chamado de sardina pilchardus.
Tem um corpo alongado e subcilíndrico, com uma tonalidade azul prateada no dorso e no ventre, ladeada com manchas redondas e escuras. A maxila da boca é curta e sem dentes. Não possui raios espinhosos nas barbatanas dorsais e anal, e o seu corpo tem escamas ventrais em forma de escudo.

Com um crescimento considerado rápido, uma sardinha pode atingir cerca de 90% do seu comprimento máximo durante os dois primeiros anos de vida. Pode viver até aos 15 anos de idade e pode atingir cerca de 27 cm de comprimento total. No entanto, na costa portuguesa, são mais comuns sardinhas jovens, entre os 6 e 7 anos, de tamanho pequeno, até 22 cm.
A sardinha alimenta-se principalmente de crustáceos planctónicos e microalgas (plâncton).

Habitat e distribuição da espécie

Distribui-se geograficamente na faixa costeira do Atlântico Nordeste, na zona da plataforma continental, uma área que vai desde o Senegal ao Mar do Norte, incluindo o Mar Mediterrâneo e o Mar Negro.

Na costa portuguesa, está presente ao longo de toda a plataforma continental até aos 100 m de profundidade.
A sardinha adulta pode ser encontrada em mar alto, enquanto a sardinha mais jovem concentra-se nas zonas costeiras, próximas da foz dos rios, sobretudo na costa Noroeste entre o Porto e a Figueira da Foz e na região de Lisboa. É uma espécie que tem uma grande mobilidade, formando cardumes na coluna de água, que podem ultrapassar os 100 m2 de área e as 10 toneladas.

História da sardinha

A pesca e o consumo de sardinha na Península Ibérica remonta ao tempo dos Fenícios e Romanos, durante o qual esta espécie era pescada, salgada e distribuída em ânforas por todo o território europeu e africano.

Em Portugal, o reconhecimento e importância da sardinha está presente desde o início da formação do país, mantendo a tradição dos antigos povos que ocuparam o nosso território.
Sustento de muitas populações, sobretudo rurais, ela atingiu uma grande notoriedade fora do âmbito piscatório e gastronómico, ocupando espaço na literatura, festejos, ditados populares, entre outros.

No século XIII, em Lisboa, a população mais pobre alimentava-se de sardinha e na zona da Ribeira, no Porto, no século XIV, a sardinha excedentária era salgada e defumada.

Em 1387, no reinado de D. João I, a pesca da sardinha foi protegida por carta. Foi concedida às povoações do Porto a autorização da captura desta espécie em águas de Lisboa e Setúbal. Em 1456 foi permitida a pesca de sardinhas ao domingo e em dias santos.

Na exposição Internacional de Paris, em 1855, as sardinhas de Setúbal alcançam uma menção honrosa.

Em 2010, a sardinha foi o primeiro pescado da União Europeia e da Península Ibérica a obter o rótulo azul com a certificação de sustentabilidade e boa gestão dos recursos piscatórios.

Conjuntos com conservas de Sardinhas em Azeite

A pesca em Portugal

A sardinha capturada na costa portuguesa é a única espécie de peixe em toda a Península Ibérica a ter uma certificação de qualidade, respondendo às preocupações sobre a sustentabilidade dos recursos e da espécie.

O tipo de pesca utilizado principalmente na sua captura é a arte do cerco, sendo também pescada em quantidades menores nas artes do arrasto, redes de emalhar e arte-xávega.
Na pesca do cerco, não só ocorre a captura de cardumes de sardinha, como a captura no mesmo lance de pesca com misturas de outras espécies de pequenos peixes como a cavala e o carapau.

Os desembarques somados de sardinha, cavala e carapau representam quase 65% da pesca total descarregada em portos nacionais, localizados em Aveiro, Figueira da Foz, Matosinhos, Olhão, Peniche, Portimão, Sesimbra e Sines.

Benefícios para a saúde

A sardinha é um alimento nutricionalmente rico e muito benéfico para a saúde, sendo uma excelente fonte de proteínas com um alto valor biológico.

É classificada como um peixe gordo que nos fornece ómega 3, uma gordura polinsaturada, que auxilia na diminuição dos níveis de triglicéridos e do mau colesterol, favorecendo o aumento do bom colesterol que contribui para o normal funcionamento do coração e da diminuição da pressão arterial.

É uma fonte de vitamina B3 e D, essencial para a absorção de minerais como cálcio e fósforo, ajudando a combater os radicais livres.
A sardinha é também constituída por selénio e ferro, um elemento necessário no transporte de oxigénio e com grande importância na formação de células vermelhas do sangue.

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