O tão conhecido Galo de Barcelos, ícone turístico português e simbolo da olaria e cidade minhota, é uma figura que se baseia numa lenda popular da época medieval e conta a história de um peregrino galego a caminho de Santiago de Compostela.

Naquele tempo a cidade viu-se perante um crime que não tinha culpado. O tempo passava e os habitantes de Barcelos viviam alarmados e preocupados, com a ausência de responsabilidade do criminoso que cometera o delito.
Certo dia, um galego que por lá passava em peregrinação tornou-se o suspeito principal, pois nunca ninguém o tinha visto e era desconhecido das gentes da cidade.
As autoridades, desesperadas por culpar alguém, resolveram prendê-lo e acusá-lo do crime por resolver. O galego, um devoto de Santiago, S. Paulo e Nossa Senhora, jurou inocência e as suas desculpas foram ignoradas. Ninguém queria saber que estava a cumprir uma promessa, peregrinando a caminho de Santiago de Compostela.

Presente o juiz, a sua sentença chegou rápida: condenado à forca. Revoltado e sentindo a necessidade de provar a sua inocência, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara, antes de ser enforcado.
Foi-lhe concedida a autorização e o galego, acompanhado das autoridades, foi levado à residência do magistrado. Nesse mesmo momento, o juiz que estava num banquete com alguns amigos, recebeu-o para ouvir o que tinha para dizer em sua defesa.
O peregrino voltou a afirmar a sua inocência mas ninguém acreditou nele. Num acto espontâneo, apontou para a travessa com um galo assado que estava na mesa e exclamou: “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem”.
Todos ficaram incrédulos com tal afirmação e não se contiveram em risos e comentários. A noite continuou em folia, mas com o receio de ser verdade, ninguém tocou nem provou o galo.

No dia seguinte, enquanto o peregrino estava a ser enforcado, o espanto foi geral quando o impossível se tornou realidade: o galo assado ergueu-se da mesa e cantou.
Perante tal acontecimento, as dúvidas esvaneceram-se e a presunção de inocência do galego foi aceite. O juiz, ainda algo admirado de toda a situação, correu em direcção à forca para salvar o galego e, apesar de estar com a corda ao pescoço, conseguiu evitar que fosse enforcado.

O galego foi imediatamente solto e mandado seguir o seu caminho em paz. Após alguns anos voltou a Barcelos para esculpir o Cruzeiro do Senhor do Galo em louvor à Virgem Maria e a S. Tiago, parte do espólio do Museu Arqueológico da cidade.

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